Quanto Custa uma Recuperação Judicial? Guia 2026
A estimativa de mercado vai de R$ 15 mil em custas de uma pequena empresa a R$ 5 milhões em grupos econômicos complexos, podendo custar mais de 5% da dívida variando por passivo, número de credores e estrutura societária. Este custo, é a remuneração dos atores envolvidos, empresas de Consultoria, Advogados e Administradores Judiciais. Guia escrito por Roberto Neaime de Almeida, CEO da B2Grow, com mais de 25 anos em projetos de recuperação judicial, turnaround e finanças corporativas.
- Faixa de mercado
- R$ 15 mil – R$ 5 mi
- Médio porte (mais comum)
- R$ 150 mil – R$ 600 mil
- Administrador judicial
- Até 5% do passivo
Por Roberto Neaime de Almeida · Publicado em · Atualizado em
Resumo executivo (TL;DR)
Tempo de leitura: 9 minQuanto custa? De R$ 15 mil (apenas custas de uma pequena empresa) a R$ 5 milhões em grupos econômicos. A maioria das empresas de médio porte investe entre R$ 150 mil e R$ 600 mil ao longo do processo — veja a tabela completa.
O que mais pesa no preço? O valor do passivo sujeito, o número de credores e a complexidade societária. O administrador judicial, fixado pelo juiz, pode chegar a 5% do passivo — veja os 8 fatores.
Como pagar e economizar? O custo é diluído em entrada, mensalidade e êxito. Contabilidade organizada e escopo fechado por fase reduzem o total; propostas muito baratas costumam sair caras — veja as 6 recomendações.
Tabela de preços da recuperação judicial em 2026
Estimativa de mercado consolidada a partir da experiência da equipe da B2Grow em projetos de reestruturação e dos limites legais de remuneração previstos na Lei 11.101/2005. Os valores representam o custo total do projeto ao longo do processo, não uma parcela única.
| Categoria | Faixa de preço | Quando é indicado |
|---|---|---|
| Custas processuais e perícia prévia | R$ 15 mil a R$ 60 mil | Taxas do tribunal, distribuição, certidões e eventual perícia prévia determinada pelo juízo antes do deferimento. |
| Micro e pequena empresa (plano especial) | R$ 40 mil a R$ 150 mil | Faturamento até cerca de R$ 4,8 milhões/ano, poucos credores e passivo concentrado em bancos e fornecedores locais. |
| Empresa de médio porte | R$ 150 mil a R$ 600 mil | Faturamento entre R$ 5 milhões e R$ 100 milhões, dezenas a centenas de credores e necessidade de reestruturação operacional. |
| Grande empresa | R$ 600 mil a R$ 2 milhões | Passivo acima de R$ 100 milhões, credores financeiros relevantes, assembleia disputada e financiamento DIP. |
| Grupo econômico / consolidação substancial | R$ 2 milhões a R$ 5 milhões | Múltiplas empresas em litisconsórcio, credores no exterior, M&A de UPI e disputas societárias em paralelo. |
8 fatores que influenciam o preço de uma recuperação judicial
Dois processos com passivo semelhante podem custar valores muito diferentes. Estes são os fatores que explicam a variação — e onde a empresa ainda consegue influenciar o resultado.
Tamanho do passivo sujeito
Número e perfil dos credores
Complexidade societária
Honorários do administrador judicial
Duração do processo
Assessoria financeira e turnaround
Laudos, perícias e auditoria
Comarca e praça de atuação
Detalhamento de cada faixa de preço
O que está incluso, o que costuma ficar de fora e para quem cada faixa faz sentido.
Recuperação judicial x recuperação extrajudicial: custo e trade-offs
Antes de decidir pelo processo judicial, vale comparar com a via extrajudicial — que custa menos, mas oferece menos proteção.
| Critério | Recuperação judicial | Extrajudicial / renegociação |
|---|---|---|
| Custo total estimado | R$ 150 mil a R$ 5 milhões, conforme o porte | R$ 40 mil a R$ 400 mil (assessoria e jurídico) |
| Prazo médio até a solução | 2 a 5 anos de supervisão judicial | 3 a 12 meses de negociação |
| Proteção contra execuções | Stay period de 180 dias, prorrogável | Nenhuma proteção automática |
| Exposição pública e crédito | Pública; impacta rating, seguros e fornecedores | Confidencial na maioria dos casos |
| Poder de vincular credores dissidentes | Sim, após aprovação do plano em assembleia | Não; depende de adesão individual |
| Quando faz sentido | Passivo pulverizado, execuções em curso, caixa pressionado | Poucos credores relevantes e caixa ainda controlável |
Como reduzir o custo (e o que evitar)
Nem todo corte de custo é economia. Estas são as decisões que reduzem o investimento sem comprometer o resultado — e as que costumam sair caro.
Organize a contabilidade antes de pedir
Escrituração atrasada, estoques sem inventário e conciliação bancária incompleta são o item que mais infla honorários. Cada mês de informação reconstruída vira hora faturada — e atrasa o deferimento.
Negocie a estrutura, não só o valor
Trocar parte do fixo por success fee atrelado ao deságio alinha incentivos e protege o caixa no momento mais crítico. É quase sempre mais eficiente do que pedir desconto no fixo.
Desconfie de proposta muito abaixo do mercado
Preço muito baixo costuma significar equipe júnior, ausência de assessor financeiro e um plano genérico. Plano rejeitado em assembleia significa refazer o trabalho — e, no limite, falência.
Avalie a reestruturação extrajudicial primeiro
Nem toda crise exige recuperação judicial. Renegociação direta ou recuperação extrajudicial custa uma fração e preserva a reputação de crédito quando o passivo está concentrado.
Contrate um escopo fechado por fase
Diagnóstico, pedido, negociação e cumprimento do plano podem ser contratados em fases com escopo e preço definidos. Isso evita o custo aberto que se estende por anos.
Não corte a assessoria financeira para economizar
O advogado protege o processo; o assessor financeiro protege o caixa e constrói a viabilidade. Recuperações que falham raramente falham por erro jurídico — falham por plano economicamente inviável.
Como funciona o processo, etapa por etapa
Cada etapa concentra uma parcela diferente do custo total. Saber onde ele aparece ajuda a planejar o caixa.
- 1
Diagnóstico e viabilidade
Levantamento de passivo, fluxo de caixa, margem por linha de negócio e cenários. Nesta etapa se define se o caminho é renegociação, recuperação extrajudicial ou judicial.
- 2
Desenho da estratégia e do plano
Construção do plano de negócios, projeções, laudo de viabilidade econômico-financeira e definição da proposta de pagamento por classe de credores.
- 3
Pedido e stay period
Protocolo do pedido, perícia prévia, deferimento do processamento e início da suspensão das execuções por 180 dias, prorrogáveis.
- 4
Negociação e assembleia de credores
Rodadas com bancos, fornecedores e credores trabalhistas, ajustes no plano e aprovação em assembleia geral de credores.
- 5
Execução do turnaround e cumprimento
Implementação das medidas operacionais, monitoramento de caixa, relatórios mensais e cumprimento do plano até o encerramento do processo.
Perguntas frequentes sobre o custo da recuperação judicial
Sobre o autor
Roberto Neaime de Almeida
CEO da B2Grow Recuperação Judicial & Turnaround
Especialista em Recuperação Judicial, Turnaround, Reestruturação Empresarial, Finanças Corporativas e Gestão de Crises, com mais de 25 anos de experiência em projetos de alta complexidade envolvendo bancos, fornecedores, investidores e fundos de investimento.
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